Semana 1 a 21 Dezembro 2025
1. O que esta janela de três semanas nos diz sobre a campanha?
Algumas conclusões que a FOXP2 pode tirar deste período de 1 a 21 de Dezembro de 2025:
-
Escala não é igual a eficiência. Ventura é imbatível em volume, mas não lidera na taxa de engagement.
-
Candidatos com comunidades médias (Gouveia e Melo, Cotrim, Seguro) estão a trabalhar muito bem a relação com a sua base.
-
Os outsiders ideológicos (como António Filipe ou Jorge Pinto) validam que nichos bem cuidados têm poder de agenda.
-
Deep engagement é um indicador crítico de risco e oportunidade reputacional. Quem gera muitos comentários vive num permanente stress test público.
A campanha digital para Belém não é só quem fala mais alto. É, cada vez mais, quem consegue transformar atenção em conversa e conversa em convicção.
2. Ranking de seguidores: Ventura joga em outra liga
No ranking de seguidores, um nome salta imediatamente à vista:
-
André Ventura surge com cerca de 2,28 milhões de seguidores, muito à frente de todos os restantes.
-
No segundo lugar, Joana Amaral Dias, que já não é candidata, aproxima-se dos 394 mil.
-
Seguem-se Catarina Martins (≈208 mil) e João Cotrim de Figueiredo (≈174 mil).
-
Num patamar mais abaixo, mas ainda relevante, surgem António José Seguro, Gouveia e Melo, Marques Mendes, António Filipe e Jorge Pinto.
Em termos de escala bruta, a direita populista e as figuras mais mediáticas continuam a dominar o top-of-mind digital.
3. Crescimento de seguidores: a frente não está fechada
Quando passamos ao fluxo de novos seguidores, o cenário fica mais competitivo:
-
André Ventura mantém a liderança, com cerca de 42,8 mil novos seguidores no período.
-
Cotrim de Figueiredo (≈27,9 mil) e Catarina Martins (≈24,4 mil) mostram um dinamismo forte fora da “bolha Ventura”.
-
Jorge Pinto cresce cerca de 15,4 mil seguidores, confirmando que as campanhas de nicho também sabem ganhar escala.
-
Gouveia e Melo, Marques Mendes, António José Seguro e António Filipe apresentam crescimentos mais moderados, mas consistentes.
Ou seja: Ventura é o maior íman, mas há vários candidatos a conseguir crescimento orgânico saudável.
4. Taxa de engagement: Gouveia e Melo e Cotrim lideram a eficiência
Quanto à taxa de engagement, ela muda completamente o pódio:
-
Gouveia e Melo lidera com cerca de 57,8% de taxa de engagement.
-
Logo atrás surge Cotrim de Figueiredo com 52,6%.
-
António José Seguro fecha o top 3 com 47,4%.
-
António Filipe (≈30,4%), Catarina Martins (≈26,0%) e Marques Mendes (≈25,6%) mantêm também desempenhos muito sólidos.
-
Jorge Pinto (≈18,6%) e André Ventura (≈17,7%) ficam abaixo deste grupo em termos relativos.
Aqui, a leitura é clara: em custo de atenção, perfis como o de Gouveia e Melo, Cotrim ou Seguro estão a obter muito mais interacções por seguidor do que o líder em volume.
5. Deep engagement: quem é realmente discutido?
No número de comentários, que mede o chamado deep engagement, o gráfico volta a ser dominado por um só nome:
-
André Ventura acumula mais de 325 mil comentários, num efeito de tempestade permanente.
-
Muito lá atrás, mas ainda assim com números relevantes, surgem António José Seguro (≈23,4 mil), Gouveia e Melo (≈17,1 mil), Joana Amaral Dias (≈16,5 mil) e Marques Mendes (≈15,4 mil).
-
António Filipe, Cotrim, Jorge Pinto e Catarina Martins formam um segundo bloco de conversa intensa, entre os 8 e os 14 mil comentários.
É importante distinguir 2 tipos de comentário:
-
Apoio vs conflito – em Ventura, a mistura de militância e oposição gera uma máquina de polémica que o algoritmo adora.
-
Comentários programáticos e informativos – mais visíveis em Gouveia e Melo, Seguro, Cotrim ou Jorge Pinto, onde a discussão tende a focar-se mais em propostas e posicionamentos.